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28.05.2010
Assembléia Popular: espaço de construção do poder popular
Experiências estaduais apontam para o avanço da intervenção
do povo
na
construção de um projeto popular para o Brasil
Contar
as experiências concretas realizadas pela Assembléia Popular
(AP) nos estados. Este foi o objetivo da Feira Pedagógica,
que aconteceu na noite de ontem (26), durante a II
Assembléia Popular Nacional. A atividade acontece desde o
dia 25, em Luziânia (GO), com 500 militantes de pastorais e
movimentos sociais e entidades de todos os estados do país.
Pelos relatos, as mulheres tem tido papel fundamental na AP,
sejam na organização popular, seja na formação política e
nas lutas. A 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial de
Mulheres é um exemplo disso. Em 10 dias de marcha (8 a 18 de
março), cerca de 3 mil mulheres marcharam de Campinas à São
Paulo empunhando bandeiras contra a violência e a
militarização e pelo acesso aos bens comuns. “O lema
Seguiremos em marcha até que todas sejamos livre
sintetizou o espírito da mobilização, que para nós foi um
marco na luta das trabalhadoras brasileiras”, afirmou a
Bernardete Esperança, coordenadora da ação.
A
experiência relatada pelas mulheres de Tocantins e de
estados do norte do país que lutam contra a exploração
sexual iniciou em 2005, após um encontro nacional de
mulheres que viviam em situações de marginalização. Elas
denunciaram a prostituição e o tráfico de mulheres que
ocorrem próximo à construção de grandes obras de
infraestrutura, principalmente em construção de rodovias e
hidrelétricas. Elas se inseriram na Assembléia Popular
constituindo comitês para debater estes assuntos e
mobilizações nacionais e locais, como a Campanha pela
Reestatização da Vale e a Campanha “Não dê carona para a
exploração sexual”.
Além da participação das mulheres, a AP se capilariza nos
estados pela intervenção de outros diversos atores, como por
exemplo, os trabalhadores e estudantes da área da saúde, que
organizam os Seminários Livre
da
Saúde, que resgatam os debates e ações que os movimentos
sociais desenvolvem a partir deste eixo de discussão,
privilegiando as iniciativas a partir da medicina
alternativa e das políticas sobre saúde pública.
As iniciativas populares também acontecem no judiciário.
Esta foi a experiência trazida pelo Tribunal Popular do
Judiciário do Maranhão, cujo lema é: Por justiça de
verdade. “Nosso principal objetivo é discutir,
problematizar e denunciar a atuação do Judiciário, que
historicamente tem negado os direitos humanos no estado, sem
assumir efetivamente suas responsabilidades
constitucionais”, afirmou Jonas Alves, membro da Rede de
Educação Cidadã. Neste processo, de junho a dezembro de
2009 foram realizadas caravanas envolvendo cinco grandes
regiões, culminando em uma planária estadual: “Houve a
retomada das grandes mobilizações sociais em torno de
temáticas comuns e organização de núcleos com maior
compreensão dos direitos humanos e disposição para o
exercício do controle social sobre o poder judiciário”,
finalizou Jonas.
O
levante dos trabalhadores urbanos também é fruto da
Assembléia Popular, seja pelo Movimento Organizado dos
Trabalhadores Urbanos, com atuação em Sergipe, seja em Minas
Gerais, com os moradores de ocupações urbanas na cidade Juiz
de Fora ou pelo conjunto dos movimentos sociais na luta pela
redução do preço da luz, na Paraíba. No primeiro caso
relatado na Feira Pedagógica, a inserção na AP iniciou a
partir da tomada de consciência pelas análises da conjuntura
que os envolvia. “Percebemos que só a luta concreta nos
garantiria conquistas, neste sentido, antes de realizarmos
as ocupações em busca de moradia, fazíamos grandes
assembléias populares nos bairros das periferias para
preparação e motivação popular”, afirmou um dos
coordenadores do Movimento.
Já
no caso da AP em Juiz de Fora/MG, a tomada de consciência de
classe foi fundamental para que os moradores das mais de 200
ocupações espontâneas que existem na cidade participassem da
atividade realizada em novembro de 2009. “Em 10 anos, as
ocupações aumentaram 50% em Juiz de Fora. Esse número é
representativo da situação em que vivem os trabalhadores,
com o aumento do desemprego e da precarização das condições
de trabalho. Mas mais significativo é a inserção desse
público na Assembléia Popular. Aqui está um grande potencial
de luta”, afirmou uma das coordenadoras da AP local.
Na Paraíba, a campanha O preço da Luz é um roubo
também foi assumida a partir da necessidade real da
população, que não conseguia mais pagar as altas tarifas
cobradas pela Energisa, distribuidora de energia no estado.
“Em 10 dias de mobilização nas principais cidades da
Paraíba, mobilizamos milhares de pessoas contra o aumento de
mais de 15% nas contas. Depois disso fizemos um grande ato
de protesto com mais de 1500 pessoas em João Pessoa, cujo
resultado foi a redução de 12% nas tarifas de energia”,
afirmou Rafaela Carneiro, que também reforçou a importância
da Agitação e propaganda na mobilização popular. |