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29.01.2011
CDDPH se compromete a
criar um grupo de trabalho
de reparação das perdas
dos atingidos por barragens
Na última
quarta-feira (26-01), o Movimento dos Atingidos por
Barragens (MAB), o Instituto de Pesquisa e Planejamento
Urbano e Regional da UFRJ e a ONG Justiça Global lançaram o
relatório da Comissão Especial, do Conselho de Defesa dos
Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), na sede da Ordem dos
Advogados do Brasil, no Rio de Janeiro.
O
relatório - que analisou durante 4 anos, denúncias de
violações de direitos humanos no processo de implantação de
barragens no Brasil - foi aprovado pelo CDDPH em novembro de
2010 e constatou que: "os estudos de caso permitiram
concluir que o padrão vigente de implantação de barragens
tem propiciado, de maneira recorrente, graves violações de
direitos humanos, cujas conseqüências acabam por acentuar as
já graves desigualdades sociais, traduzindo-se em situações
de miséria e desestruturação social, familiar e individual".
O evento
contou com a presença do conselheiro Edgar Flecha Ribeira,
de Cristiane Freitas, recém nomeada coordenadora do CDDPH e
de atingidos por barragens de todas as regiões do Brasil e
de países da Amérca Latina, que estão participando do curso
Energia e Sociedade no Capitalismo Contemporâneo, na UFRJ .
Moisés
Ribeiro, do MAB de Minas Gerais, relatou os casos de
violações de direitos humanos no processo de contrução da
barragem Aimorés, uma das que foram visitadas pela Comissão
Especial. Segundo o relato do militante - e que consta
também no relatório - Em Aimorés, a paisagem deixada pela
hidrelétrica é desoladora: por onde antes corria um rio, há
somente poças que constituem verdadeiros criadouros de
vetores. A multiplicação de focos de aedes não traz riscos
apenas de epidemias de dengue, uma vez que o mosquito é
também o vetor urbano da febre amarela. Além disso, muitos
idosos ficaram depressivos depois da notícia da barragem,
ocasionando um grande comércio de fraldas geriátricas na
região.
Durante o
lançamento Cristiane Freitas foi incisiva: "a criação de um
Grupo de Trabalho de reparação das perdas é um
comprometimento da nova gestão do CDDPH, sob o comando da
ministra Maria do Rosário", afirmou. Edgar Flexa completou:
"nós não vamos descansar enquanto não vermos nossas
recomendações atendidas pelos demais órgãos envolvidos". A
comissão recomendou a adoção de mais de 100 medidas para
garantir e preservar os direitos humanos dos atingidos por
barragens e evitar novas violações
Sôniamara,
da coordenação nacional do MAB, dedicou o lançamento do
relatório aos 18 atingidos pela barragem de Tucuruí, sendo
dois deles idosos, que, em 2009, durante um protesto, foram
presos e passaram mais de 40 dias encarcerados. Essa semana
eles estão sendo julgados no Pará. |