|
30.04.2010
Sem Terra bolivianos
denunciam sequestro e expulsão de comunidades
Vinicius Mansur
As
comunidades agroecológicas Tierra Hermosa e Chirimoyas,
localizadas na província Velasco, no departamento de Santa
Cruz, na Bolívia, foram atacadas por um grupo armado com
escopetas e rifles, sendo obrigadas a deixar suas terras.
Essa foi a denúncia protocolada nesta quinta-feira (29) pelo
Movimento de Trabalhadores Camponeses Indígenas Sem Terra
(MST) da Bolívia.
De acordo
com o dirigente sem terra, Silvestre Saisari, Tierra Hermosa
e Chirimoyas foram atacadas no dia 20 de abril, quando boa
parte de seus integrantes participava da Conferência dos
Povos sobre as Mudanças Climáticas, em Cochabamba. Na
ocasião, 180 famílias foram obrigadas a deixar as terras,
dirigindo-se a comunidades vizinhas com medo das agressões.
Após o
ataque, uma comissão formada por dirigentes do MST
boliviano, do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Inra) e
do vice-ministério de Terras se dirigiu ao local na última
segunda-feira (24). Ao chegar à província Velasco, a
comissão foi alvo de novos ataques com armas de fogo, paus,
pedras e machados. Inclusive as autoridades de governo foram
atingidas pelos cerca de 80 invasores que permanecem dentro
das comunidades. De acordo com Saisari, crianças, mulheres e
idosos também foram agredidos. Duas pessoas do movimento
foram hospitalizadas e quatro estão desaparecidas.
“Agora
queremos que o Ministério Público e o governo nacional
enviem um contingente policial para que se devolva as
terras, porque tememos que sejam desalojadas famílias de uma
terceira comunidade. Também pedimos que as autoridades nos
ajudem a recuperar os quatro dirigentes sequestrados. Não
sabemos nada deles”, reivindicou Saisari.
O
dirigente acusou dois latifundiários da região de
organizarem a ação violenta. As comunidades Tierra Hermosa e
Chirimoyas são fruto da política de reforma agrária do
governo Evo Morales e foram dadas aos camponeses em 2008.
O MST
boliviano informou que esta é a quinta vez que as
comunidades são atacadas. Saisari responsabilizou o vereador
de San Ignácio de Velasco, Américo Gemio, e a funcionária da
prefeitura do mesmo município, Blanca Pereira, pelos
ataques. |