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29.06.2010
CPT lança nota contra
porto ilegal da Cargill em Santarém
A CPT,
diante da ameaça de ser dado finalmente a licença à Cargill
S.A, no dia 14 de julho, resolveu escrever a carta abaixo em
repúdio à presença da multinacional em Santarém, que abre
precedente para outras empresas e o aumento de conflitos na
região.
Abaixo,
leia a carta.
A Cargill
S.A. volta a ser tema regional e nacional no momento em que
se esforça para garantir
do governo do Estado do Pará uma licença para funcionar,
coisa que deveria ter requerida antes da construção de um
porto que atende exclusivamente seus interesses
internacionais.
A CPT e
movimentos populares locais têm sido incansáveis na luta
contra todo o processo de
construção de um porto que incentivou o plantio do
monocultivo de soja na região do Oeste
do Pará. Foram inúmeras denúncias e manifestações contra
essa empresa.
Pois, a
Cargill não é responsável apenas por ter destruído a praia
da Vera Paz, enterrado um Sitio Arqueológico, mudado o
tráfego dos barcos comunitários e estar poluindo o Rio
Tapajós, mas também é responsável pela diminuição na
produção da agricultura familiar, pela grilagem de terras,
pelo aumento no desmatamento em nossa região, expulsão das
famílias tradicionais, queima de casas de comunitários,
violência contra lideranças e ameaças a sindicalistas e
trabalhadores.
Assistimos
hoje um script teatral em que a Cargill tentar enganar
autoridades e sociedade civil
com um Relatório de Impactos Ambientais – RIMA, para
conseguir sua licença de
funcionamento.
Porém,
assim como durante todos estes anos não recuamos em nossa
postura contrária a instalação do porto ilegal que a Cargill
construiu, repudiaremos qualquer tentativa nefasta de
legalizar esse porto que destrói e ameaça vidas.
A Cargill
atua de forma sorrateira em nossa região. A partir do seu
grande poderio econômico
interfere na vida das pessoas aliciando com dinheiro,
compras de fardamentos, patrocinando
eventos, pagando pessoas para visitar alunos do ensino
fundamental e inculcar uma ideia positiva sobre a mesma,
fazendo acordo (moratória) com ongues internacionais.
Inclusive
estas ongues prestam um excelente serviço à empresa, pois à
medida que ganha a confiança dos movimentos, se definem como
protagonista da luta e desarticulam as possíveis ações
consistentes dos movimentos populares locais. Além de
subsidiarem a empresa.
Não somos
ingênuos para acreditar que em uma audiência pública a
Cargill não terá seu pedido de licença aceito pelo órgão
ambiental. Afinal as audiências têm se tornado mero momento
simbólico de um processo legal. O governo do Estado do Pará
foi um dos primeiros a permitir, mesmo ilegalmente, que a
Cargill iniciasse a construção do porto. Portanto, pode
perfeitamente facilitar este processo.
Porém,
fica nossa expectativa que possamos junto com o Ministério
Público Federal e os
Movimentos Populares local demonstrar mais uma vez todos os
elementos negativos
provocados com a chegada da Cargill, e que o governo do
Estado, ao dar ou não a licença, não
seja omisso aos documentos, muito menos conivente com esta
empresa que não se cansa em
desrespeitar as leis e o povo da Amazônia.
Santarém,
23 de junho de 2010. |