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30.08.2010
Atingidos pela UHE
Estreito continuam marcha por direitos
Entre outras categorias, os
pescadores serão afetados nas condições de trabalho e
transporte, pois o lago da barragem alterará toda a forma de
vida existente no rio e impedirá o livre deslocamento das
pessoas
Cerca
de 600 atingidos pela Usina Hidrelétrica de Estreito, que
está sendo construída entre o estado do Tocantins e
Maranhão, estão em marcha desde o último dia 23. Eles saíram
da cidade de Araguaína e seguem em direção à cidade de
Estreito, num trajeto de 125 quilômetros. Com a marcha, os
atingidos querem pressionar para que as empresas
responsáveis pela obra os indenizem e reconheçam seus
direitos. A previsão de chegada é para o próximo dia 1º de
setembro.
Além dos
atingidos organizados no Movimento dos Atingidos por
Barragens (MAB), a marcha também conta com a participação e
organização do MST, CPT, colônia de pescadores, movimento de
direitos humanos e o movimento de mulheres. A Usina
Hidrelétrica de Estreito é de propriedade das empresas Suez,
Vale, Alcoa e Camargo Corrêa, que conformam o Consórcio
Ceste Energia. Diversas famílias atingidas pela obra não têm
perspectiva de vida, pois não são reconhecidas pelo
Consórcio, entre elas as famílias de pescadores, cerca de
1500 segundo levantamento realizado pelo Ministério de
Aquicultura e Pesca.
A
construção da Usina Hidrelétrica de Estreito irá modificar o
leito do Rio Tocantins, alterando o habitat e o movimento
dos peixes. Segundo os pescadores, essa modificação irá
influenciar na quantidade, na disponibilidade e na qualidade
do pescado existente na região. Além disso, a partir do
desvio do Rio Tocantins para a construção da barragem, a
passagem dos barcos descendo o rio em direção à cidade de
Estreito foi obstruída, tirando dos pescadores e de outras
pessoas o direito de locomoção.
“O
processo de implementação da usina de Estreito tem sido um
dos mais perversos dos últimos tempos no setor elétrico. A
falta de dialogo, de critérios, e, sobretudo, de
participação das famílias atingidas nas negociações tem
causado a violação dos direitos humanos, tais como: o
direito à alimentação, à terra e ao rio para trabalhar, à
moradia digna, à saúde, entre outros”, afirmou Cirineu da
Rocha, coordenador do MAB.
Flávio
Gonçalves, também coordenador do Movimento diz que o
objetivo da marcha é chamar atenção dos representantes do
Consórcio Estreito Energia para que eles discutam os
prejuízos que a usina tem causado às famílias atingidas.
“Nós estamos aqui para tentar resolver o impasse, mas a
empresa se nega a nos ouvir”, acrescentou.
Já foram
construídas várias barragens no Rio Tocantins, à saber:
Serra da Mesa, Cana Brava, São Salvador, Peixe Angical,
Lajeado, Estreito, e Tucuruí, e existem projetos para
construção de outras tantas, como Ipueiras, Tupiratins,
Serra Quebrada e Marabá. O MAB denuncia que as empresas de
energia estão transformando o Rio Tocantins em um imenso
lago e deixando as famílias na miséria. “Milhares de pessoas
já foram e serão atingidas. A maioria delas sobrevive da
pesca, do plantio das vazantes e da coletas de frutos de uma
maneira muito íntima com o espaço, daí a necessidade urgente
do reconhecimento de pescadores, extrativistas, oleiros,
vazanterios, barraqueiros e barqueirosi como atividades a
serem impactadas e assim pensarmos, construirmos e
implementarmos políticas que levem em consideração essas
categorias”, afirmam os coordenadores do MAB do Tocantins.
Contatos:
(63) 9211
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