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06/03/2006
Águas mercantilizadas
de março
Por Roberto Malvezzi
(Gogó)
Uma
série de eventos globais ocorre durante o mês de março. Listo apenas
quatro.
Entre 15 e
22 de Março, no México, ocorre o Fórum Mundial da Água, organizado
por governos, organismos multilaterais e transnacionais da água. Na
verdade, é o Fórum da Oligarquia Internacional da Água. Basta ler a
matéria com Michel Camdessus que saiu no Valor Econômico e fizemos
circular em nossas listas.
O Brasil
estará lá, apresentando nosso Plano Nacional de Recursos Hídricos.
Como sempre acontece, ONGs e sociedade civil em geral aproveitam o
momento para fazer um “Fórum Paralelo”. Dessa forma, estamos sempre
a reboque da agenda do poder econômico e político. Duvido da
eficácia dessa estratégia, mas provavelmente também estarei no
México para um paralelo do paralelo, sobre o uso da água na
agricultura e seu impacto na segurança alimentar.
Em Curitiba
acontecem dois eventos de alcance mundial: o 3ª Encontro das Partes
do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP-3), que
acontecerá de 13 a 17 de março, e a 8ª Conferência das Partes da
Convenção da Diversidade Biológica (COP-8), entre os dias 20 e 31.
Mais uma vez acontecem eventos paralelos para discutir questões tão
candentes, decisivas para o futuro da humanidade, mas que o poder
econômico tem o dom de ir jogando no sexto do lixo. Basta ver a lei
da exploração de florestas, a lei de biossegurança brasileira, as
mudanças que querem fazer nas leis que protegem morros, matas
ciliares, etc., sem falar no apoio ostensivo do governo brasileiro
ao agro e hidronegócios que devastam sem piedade a Amazônia, o
Cerrado brasileiro e rios como São Francisco e o Madeira. Em que
pese nosso empenho e boa vontade, o pouco que conseguimos no varejo,
o capital, apoiado por políticas oficiais, destrói muitas vezes mais
no atacado.
Um quarto e
pouco comentado evento: a Conferência Internacional sobre Reforma
Agrária e Desenvolvimento Rural, organizado pela FAO, reunindo
representantes de 188 países em Porto Alegre. É também um espaço
oficial, vai acontecer o paralelo dos movimentos sociais, com alguma
presença no evento oficial. A proposta dos movimentos é sempre
tentar alavancar a travada reforma agrária brasileira.
Todos esses
eventos têm um ponto em comum. Não se pode mais falar em reforma
agrária sem falar na água, na biodiversidade e nas florestas. Há uma
unidade de fundo entre esses desafios. Por isso, esses eventos,
inclusive os oficiais, também nos interessam.
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